"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver” Amyr Klink

sábado, 25 de maio de 2019

Europa 2019


“Desde de que tirei minha CNH de moto em 2007 e comecei minhas pequenas viagens de moto, sonhei em um dia pilotar pelos Alpes da Europa, principalmente pela Itália, terra do meu avô…”
Início do meu relato de 2018 desse mesmo blog (ler aqui)

Nunca pensei que em um ano estaria de volta, lá fui eu de novo conhecer mais e mais dos Alpes e de outros países desse velho continente.

Alguns meses depois que retornei da Europa, um grupo de amigos motociclistas comentou que gostariam de fazer uma viagem parecida, e me pediram para dar uma sugestão de roteiro, coisa que nem gosto de fazer hehe.

Uma primeira ideia que surgiu foi ir até Nordkaap (Cabo Norte, extremo norte da Europa),  fazendo toda a Escandinávia,  mas devido a complexidade desse tipo de viagem ficou muito em cima para organizar.  Então resolvemos fazer a Europa central. Como eu já tinha feito algo parecido no ano passado tentei um roteiro que agradasse a todos, inclusive a mim, tentando outras rotas e conhecendo novos países, culturas, gastronomias e bebidas.

Inicialmente estava previsto irmos em cinco motociclistas, mas depois juntou mais dois, um não pode ir, e assim formamos o grupo final em seis. Parece muito para uma viagem grande, mas sendo Europa, com facilidade grande de hotéis, sem aduanas para fazer entre os países da União Européia, facilidade de postos etc, não vimos problemas no tamanho do grupo.

Vitor, Zé ramalho, João Adelar, Rubem, Dieter e eu

Primeiramente definimos alguns pontos importantes: Datas, quantidade de dias, aluguel das motos, passagens e só por último o roteiro, pois dependia de todo os primeiros itens.

De comum acordo com todos colocamos como três semanas nosso limite de dias dessa viagem, sendo 2 semanas de moto e os demais dias entre viagem e mais algum passeio.  A época escolhida foi final de maio e primeira quinzena de junho, sendo primavera a temperatura é bem legal, a probabilidade dos passos estarem fechados bem pequena e também os custos ficam menores por não ser ainda o pico da alta temporada Européia.

Então iniciamos a procura das motos. A locadora que conseguimos o melhor custo benefício, devido a localização, foi a Hertz Ride Milano. Queríamos 05 F750 e 01 1250, mas eles só tinham 03 F750, então as outras duas foram F700. O Rubem queria a 1250 para experimentar, que infelizmente não teve disponibilidade e acabou pegando então a 1200.


Uma vez reservadas as motos pudemos comprar as passagens e começar a ver então o roteiro. Depois de muita pesquisa, conversas e tudo o mais, o roteiro de partida foi definido, em resumo 09 países, Itália, França, Luxemburgo, Bélgica, Holanda, Alemanha, Checa, Áustria e Suíça. Depois teve alterações das cidades como irei relatar mais a frente, mas conseguimos manter os mesmos países.

DIAS 01 a 04 (25 a 28 de maio)


De Blumenau, no sábado 25 de maio, saímos em 05 no carro do Dieter até Floripa onde encontramos o Vitor já no aeroporto, check-in feito, agora sim iniciamos nossa viagem.


Até SP fomos no mesmo vôo, depois lá nos dividimos em dois grupos nos encontrando em Milão Malpensa já no dia 26.

primeira cerveja da viagem, Madri ES

Viagem tranquila sem estresse nenhum. No aeroporto de Milão pegamos uma van para o grupo até o Airbnb que reservamos para os três primeiros dias na cidade.

A Giorgia, minha filha que está morando em Porto PT, já estava por lá pra matar a saudade, ficou com a gente até pegarmos as motos no dia 29.
Nesse primeiro dia, domingo 26 de maio, chegamos já tarde no apartamento, então procuramos um restaurante ali do lado mesmo, por sinal foi muito bom, acabamos indo mais outra vez nele, Ristorante Pizzeria San Giovanni.


Na segunda amanheceu garoando, então fomos passear pela cidade, aproveitando para o pessoal comprar chip de telefonia e o Adelar comprar um capacete para a viagem.

  

Ruínas do Castello Sforzesco, Milão IT

No outro dia de manhã cedo, já com o tempo melhor fomos de trem até a belíssima Bergamo, cerca de 60km de Milão, 1h de trajeto.



Bérgamo fica também em uma colina, tem a cidade baixa e a cidade alta, na real tem a mais baixa ainda onde chegamos de trem. Assim tem vários Funicolares para ajudar.





Retornamos já perto das 20h e fizemos uma noite de Bruschettas, preparadas pela Giorgia, acompanhado de bons vinhos.



DIA 05 (29 de maio) - Milão IT a Chamonix Mont-Blanc FR - 250km


Agora sim, a viagem começou !!! Motos !!!
Saímos cedo e fomos de táxi para a locadora que era do outro lado da cidade (uber é mais caro na Itália, mas não foi fácil conseguir táxi). Como já imaginávamos foram mais de 2h para liberarem as 06 motos. Organizamos as bagagens, instalamos os GPS e partimos perto do meio dia. Seguimos um trecho pequeno pela autoestrada e depois saímos para ir por estradas secundárias, mesmo que mais demoradas, mais agradável e perfeito para se ambientar.

Uma primeira parada para fotos numa pequena vila chamada San Germano Vercellese, estava quente, tomamos uma água e continuamos.


Na estrada ao longe já se via os montes nevados dos Alpes, muito lindo como sempre. Paramos em um estacionamento de cemitério hehe onde tinha uma banca de frutas, banheiro e um pouco de sombra.






Já bem próximo a fronteira Francesa, encostamos na linda Pont-Saint-Martin, localidade com uma bela ponte romana e castelo medieval.



Seguimos até a fronteira onde atravessamos o túnel de 12km que passa por baixo do monte Aiguille du Midi, do lado do Mont Blanc (Monte Bianco na Itália), esse tem um pedágio de 37,10€, ele termina praticamente dentro da cidade de Chamonix Mont-blanc. 05 graus lá em cima.


Fronteira Itália França


Chegando já perto das 20h, por sinal isso foi uma constante, talvez pelo grupo maior de seis motociclistas acabamos chegando quase todos os dias por esse horário 19h, 20h. O hotel muito bom,  afinal era um Mercure. Tomamos um banho nos arrumamos e nos dirigimos até o centro da cidade para conhecer a charmosa Chamonix. O jantar foi bem agradável, eu fui de massa de salmão acompanhado de vinho nacional.

  

Ali tivemos a primeira mudança de roteiro, depois de olhar a previsão do tempo vimos que o outro dia seria de céu limpo, sol e temperatura bastante agradável, resolvemos então ficar o período da manhã em Chamonix para subir de teleférico até o topo do Aiguille du Midi, onde se tem uma vista privilegiada do Mont-blanc.

DIA 06 (30 de maio) - Chamonix Mont-Blanc FR a Martigny CH  - 47km


Acordamos cedo, realmente o céu já estava deslumbrante, tomamos um bom café da manhã no hotel e depois, já com as motos carregadas, tocamos até o teleférico.


  

Para quem ainda não fez, recomendo imensamente esse passeio, é simplesmente incrível. O Mont Blanc, é a mais alta montanha dos Alpes e da União Europeia, atingindo uma altitude de 4808m.


segurando o Mont-Blanc



Incrível é que mesmo lá em cima, no meio do quase nada, fiz um live com a família com a conexão perfeita.



Claro que nos empolgamos e acabamos ficando muito mais tempo do que o previsto ali,  com isso acabamos saindo bem mais tarde, já perto das 17h. Assim não tinha como tocarmos até Luxemburgo que era a ideia do roteiro. Seguimos na direção e paramos depois de  mais uma hora e pouco,  na cidade de Martigny, Suíça.  Vale lembrar que nessa época do ano pela região estava escurecendo depois das 21h.

Ya Ko um amigo que fizemos na viagem

Martigny CH

Logo ao entrar na Suíça fomos atrás do vignette, o selo de pedágio para rodar por lá. Só tem anual e custa 36€.

Como foi uma parada não prevista acabamos não reservando nenhum hotel na noite anterior nem mesmo ao meio-dia como fizemos várias outras vezes na viagem. Demoramos um pouco até encontrar um hotel que ficasse legal para todos, tomamos um banho e fomos jantar. Aí tivemos uma primeira experiência com restaurantes a noite na Europa: é muito comum que a cozinha feche pelas 21h, às vezes até antes, portanto depois desse horário fica bastante complicado conseguir algo.  A cidade é muito charmosa, mas naquele horário que fomos já estava quase tudo fechado, lojas, pouca gente andando na rua. Conseguimos um restaurante de portugueses perto de uma pracinha, comida estava bem gostosa e fomos atendidos por uma simpática portuguesa.

DIA 07 (31 de maio) - Martigny CH a Batzendorf FR - 427km


De manhã o ritual era praticamente sempre o mesmo, acordar, tomar o café, banheiro, arrumar as moto e partir. Sexta-feira de tempo bom, céu limpo, temperatura agradável, apesar que depois esquentou bastante. Seguimos da Suíça em direção a França novamente e tínhamos como objetivo a Bélgica a cidade de Bruges.  mas no caminho temos uma parada especial era a cidade de Eguisheim na França, uma pequena vila medieval muito parecida com a vizinha Riquewir (que estive em 2018), na região da Alsácia que pertencia a Alemanha.  Esses burgos são maravilhosos, realmente nos remetem a um passado distante pela sua característica e preservação.

Lac Léman FR

Eguisheim FR


O almoço foi muito bom, a comida bem local estava farta e ótima, ainda acompanhamos com cerveja (sem alcool, que por lá é bem agradável). Também nos empolgamos e acabamos ficando mais do que o planejado na cidade, isso parece um grande problema, mas não, nós já tínhamos previsto essas situações, por isso não reservamos os hotéis antecipadamente.



Tocamos em direção a Luxemburgo mas já com a ideia de parar em alguma pequena cidade antes, por causa do horário.



Sempre que possível optamos pelas estradas secundárias, fugindo não só dos pedágios de alguns países (que não são baratos), mas também para ter oportunidade de conhecer o interios do pais, bem mais insteressante e menos turístico.


Paramos em Batzendorf. Os hotéis estavam seguindo um mesmo padrão, valor do quarto duplo em média 80€, muitos mais baratos inclusive, alguns com café da manhã, outros não, mas em geral estavam bem confortáveis. Esse era um pouco afastado do centro e não tinha restaurante, então depois de tomar um banho pegamos as motos e fomos num restaurante próximo.



Restaurante mais requintado, caro e a comida bem meia boca, até me arrisco a dizer que foi uma das únicas decepções gastronômicas da viagem. Eu comi vitela com aspargos, que apesar de lindos (até por que é época deles na Europa) estavam mal preparados, sem muito sabor e apenas aquecidos. Dieter pediu uma carne maturada, cara e estava bem fraquinha. Paciência, não se pode acertar sempre né.

DIA 08 (01 de junho) - Batzendorf FR a Sint Niklaas BE - 467km


Ritual matutino feito, seguimos em direção a Bélgica, mas no caminho paramos em Luxemburgo, esse pequeno país realmente é lindo, sua capital de mesmo nome é muito acolhedora e com muita história.

Depois de apanhar um pouco pra encontrar estacionamento para as motos, fomos dar uma boa caminhada pelo centro histórico.


Praça da Constituição, Luxemburgo LU



Comemos algo por ali mesmo, uma pracinha tinha comida de rua, bratwurst, amo !!! Aproveitamos para ali escolher uma cidade de pernoite e reservar o hotel, foi Sint Niklaas na Bélgica.


As estradas da união europeia chegam a ser uma piada de tão perfeitas, em comparação as nossas são surreais. Numa das inúmeras paradas existentes nas autoestradas paramos para um descanso. Um dos amigos, o Vitor pegou no sono mais forte, e resolvemos sacanear ele. Pegamos as motos e escondemos atrás de um dos caminhões e depois escondidos e filmando ele até que acordasse… ele logo sacou a sacanagem, mas foi engraçado… bando de crianças.


A Bélgica me surpreendeu, linda, moderna mas ao mesmo tempo histórica. Sua arquitetura é encantadora. Depois de devidamente acomodados, por sinal um dos melhores hotéis da viagem, fomos jantar, para variar já meio tarde.




Encontramos um ótimo restaurante italiano, boa comida e boas cervejas, noite perfeita.


pausa para um selfie...

DIA 09 (02 de junho) - Bruges BE - 220km


Realmente o hotel estava ótimo, então resolvemos ficar por ali mesmo e pegar as motos para passear até Bruges que estava inicialmente em nosso roteiro. Optamos por tomar café da manhã na rua, mas esquecemos que era domingo, e por lá não se tem muito o costume de padarias. Paramos em um mercado e compramos várias coisas pra tomar um café, e em um gramado ao lado de um bosque tomamos um café diferente.


 Quase surtei ao ver a prateleira de cervejas, é ¼ do preço daqui do Brasil, e as belgas são umas das melhores cervejas do mundo… ow inveja !


Fomos por estradas secundárias muito peculiares.



Bruges é muito linda, bem histórica também. Um dia bem legal de passeio por lá. Por orientação de um policial (que antes nos deu um esporro por estarmos usando tenis para pilotar naquele dia) estacionamos as motos numa calçada perto do centro.


Daliseguimos andando pelas simpáticas ruas da cidade histórica.






sátira a famosa Manneken Pis (estátua símbolo da Bélgico), estava em uma cervejaria

Um ponto alto foi visitar a Igreja de Nossa Senhora que abriga a Madona e o Menino de Michelangelo. Essa obra tem uma história bem forte, relatada no filme “Caçadores de obras-primas”, ela foi roubada pelos nazistas em 1944 e só descoberta graças a um grupo de civis voluntários que saíram procurando inúmeras obras roubadas. Ela foi encontrada escondida em uma mina de sal na Áustria.


A Madona e o Menino de Michelangelo

Era domingo, dia lindo de sol, descobrimos que o país inteiro vai ao litoral em dias assim, quilômetros de congestionamento. Aproveitamos o fluxo de muitos motociclistas nos corredores dos carros e tocamos de volta.

A noite uma outra ótima surpresa, o jantar. Depois de procurarmos algo, que não foi a tarefa mais simples por ser domingo e já meio tarde, paramos em um restaurante que tinha como pratos principais costelinha de porco e costelinha de cordeiro, acompanhadas com batata assada e molho bom demais, e as costelinhas podiam ser repetidas a vontade. Isso acompanhado de cervejas belgas, foi um sonho.



DIA 10 (03 de junho) - Sint Niklaas BE a Amsterdã NL - 330km


As surpresas não param, o ecopaís como apelidei, a Holanda, fantástica. Por aqui chegamos a andar muito em altitudes abaixo do nível do mar, interessante né.





No caminho passamos já por diversas represas e barreiras contra tempestades, projetadas para proteger os Países Baixos das inundações do Mar do Norte, muita engenharia.


A moto do Adelar, uma F700 estava com o pneu dianteiro bem ruim, fazendo a moto vibrar demais, ainda no caminho pegou um pino gigante de alumínio que entrou no pneu e ficou alojado. Já tínhamos feito contato com a Hertz Ride e eles agendaram na BMW de Amsterdã para resolver tudo. Fomos direto para lá.


Enquanto o Adelar e o Rubem ficaram na BMW (sua 1200 estava com as pastilhas de freio totalmente gastas) nos dirigimos para o Hotel. Bem localizado perto de uma estação do metrô mas fora do centro, hotel padrão mais novo.

Fomos para o centro para conhecer a tão famosa, caótica, eclética, charmosa, interessante… bom, não faltam adjetivos para essa cidade.






Muitas coisas chamam atenção em Amsterdã: a quantidade de bicicletas é algo assustador, dominam. A arquitetura é linda mas tem umas peculiaridades que só depois de pesquisar fomos entender, as paredes dos prédio são na maioria inclinadas pra fora. A marofa de maconha que é liberada por toda a cidade e por fim, o deprimente (na minha opinião) Red Light District, o bairro onde tem as vitrines das prostitutas. Algumas são realmente lindas, outras nem tanto, outras nem de graça… mas não dá pra não comparar com um açougue com as carnes em exposição. Não é permitido fotos nem filmagens por motivos óbvios.

  

Falando dos prédios, a maioria é estreito e comprido por causa de valores mesmo, terrenos caros fizeram ser essa a arquitetura padrão. Algumas são tortas lateralmente por causa do piso que é muito instável, movediço, característica da região toda. Mas as paredes inclinadas para a frente são propositais, pois com o auxílio de roldanas instaladas no topo do prédio permitiam levar os móveis, objetos e mercadorias para os andares superiores, sem esbarrar nas paredes.




DIA 11 (04 de junho) - Zaanse Schans - 68km


Na terça de manhã fomos conhecer o Zaanse Schans, uma vila Holandesa, turística, com vários museus alocados nos antigos moinhos da região. O lugar é lindo, vale a caminhada as margens do rio Zaan.



Sim, elas ! as vaquinhas Holandesas


  


Dali passamos por Zaandam, pitoresca cidade ali perto. A arquitetura lembrou aqueles bloquinhos de madeira que brincávamos de criança, cores e formas muito interessantes.
Retornamos já mais tarde para o hotel, onde saboreamos queijos da região, embutidos, pães e bons vinhos.





DIA 12 (05 de junho) - Amsterdã NL a Koblenz DE - 527km


Novamente reavaliamos o roteiro, nossa ideia inicial era fazer Berlim e depois Praga, mas pensamos melhor e entendemos que fazer cidades grandes com o grupo de seis não é legal e por outro lado todos curtiram muito mais os passeios por cidades menores, menos turísticas. Assim decidimos que na República Checa iríamos para Plzen (Pilsen em alemão) então tocamos naquela direção para  pararmos em algum ponto no meio do caminho, na Alemanha.


Saímos com o tempo meio estranho, previsão de chuva na região e temperatura baixa, optamos por fazer um caminho bem mais longo, mas tendo a oportunidade de conhecer o dique principal do país.


Afsluitdijk é um dique gigante que liga o norte da Holanda do Norte com a província da Frísia, nos Países Baixos, fechando o IJsselmeer e separando-o do Mar de Wadden. Para simplificar, fecha o Mar do Norte do continente hehe
Tem um comprimento de 32 km, uma largura de 90 m, e uma altura original de 7,25 m sobre o nível do mar.


Hackepeter (ossenworst é chamado por lá, que é uma linguiça não ensacada) em potinho na conveniência do posto, só mesmo na Holanda, perfeito !!!

 

Já na Alemanha paramos em um posto para comer algo, e beber cerveja Weiss (ops, tranquilo, Alkoholfrei, sem álcool). Ali fui abordado por um alemão, Sr. Hendrik, que me perguntou de onde éramos, já sabia que brasileiros pois sua esposa é brasileira, nos pagou uma rodada de café e deu umas dicas muito legais do caminho beirando o rio Reno até a cidade de Koblenz que escolhemos para pernoitar.


Um dos colegas da viagem o Dieter é de origem alemã, ele que sugeriu as duas paradas fantásticas do roteiro na Alemanha, e de quebra era nosso interlocutor. Obrigado Alemão !

o sono fazendo suas vítimas...

Esse trajeto pelo Reno foi realmente lindo, aproveitamos para parar em um “bar” na beira do rio onde tomamos outra cerveja, e até ping pong rolou. Chama atenção a quantidade de castelos nas margens, todos muito lindos, alguns lembrando o Neuschwanstein (castelo que inspirou Disney).






Koblenz fica na junção do rio Reno com o rio Mosel, por isso foi apelidada de A esquina da Alemanha. Chegamos na rua do hotel e já fomos abordados na rua por um senhor de bicicleta que era o proprietário. Sérvio, falava também um pouco de italiano.
Colocamos as motos todas dentro do pátio interno do hotel, o que foi ótimo.


Banho tomado fomos pro centro passear e jantar. Novamente quase ficamos sem opções pois por lá, principalmente na Alemanha, as cozinhas fecham muito cedo. No restaurante que escolhemos o gerente nos comentou que os fiscais pelas 22h passam batendo fotos dos estabelecimentos que ainda estam servindo e depois mandam multa.




Ah, a comida alemã, amo de paixão ! Dessa vez não consegui comer um bom joelho de porco (schweinshaxe ou eisbein), mas teve outra novidade que conto mais a frente. Fui de Wiener Schnitzel que adoro, esse ainda com ovo frito e bacon hehe acompanhado de boa cerveja e Jägermeister, não poderia ser mais alemão naquele momento.

 


 

DIA 13 (06 de junho) - Koblenz DE a Rothenburg ob der Tauber DE - 313km


Esse dia tivemos uma tensão extra. Nosso destino foi Rothenburg ob der Tauber, um magnífico burgo histórico já na Baviera alemã.

Na saída da cidade tentamos visitar a fortaleza de Festung Ehrenbreitstein, mas não encontramos a entrada correta, então tiramos algumas fotos e continuamos viagem por causa do tempo.



Seguimos acompanhando o Reno por um bom caminho ainda, curtindo as cidades e os castelos, depois para leste.





Uns 70km antes do destino, pegamos um triste acidente na autobahn envolvendo três caminhões carregados, muito fogo, fumaça, estrada bloqueada por 2h nos dois sentidos. Vale comentar da educação do trânsito alemão, todos os carros encostados de forma a deixar uma grande pista livre para passagem dos veículos de socorro.


e o sono continua fazendo mais vítimas...

Chegamos em Rothenburg já tarde, e minha preocupação era apenas uma: estava ficando tarde pra eu comer meu joelho de porco !


Fomos comer no restaurante do hotel mesmo… e para meu desespero, ops, pera aí… não tem joelho de porco, mas tem ombro de porco… como assim? Schäufele, é o nome dessa delícia, feito na realidade com a escápula do porco, macia, saborosa, perfeita !





Depois de me acabar de comer e beber, fomos dar uma volta na cidade histórica, dentro do espetacular muro. Era alguma data comemorativa, tinham várias “bandas medievais” pela cidade, uma espécie de desafio entre bandas, bem interessante.




DIA 14 (07 de junho) - Rothenburg ob der Tauber DE a Plzen CZ - 298km


De manhã depois do café ainda fomos para a cidade dar uma volta com o dia claro e tirar umas fotos legais com as motos também.






Tocamos para a Checa, logo que adentramos o país já paramos em um posto para comer algo e comprar o vignette que também é necessário por lá. Mas esse bem mais barato que o da Suíça, 12E.


Chegamos em Plzen, ou em alemão Pilsen, perto das 18h. Logo que paramos na rua na frente do hotel um dos colegas foi ver se a reserva estava tudo certo, nesse meio tempo um menino de cerca de 07 anos e sua irmãzinha vieram perto das motos. O menino começou a mostrar ao pai as motos e achou legal serem de fora, França e Itália, aí falei pra ele que nós todos éramos brasileiros, ele se encantou. O pai veio depois me trazer um adesivo da Polícia da República Checa, que pelo que entendi ele fazia parte.
Dias depois ele me escreveu uma mensagem no meu blog muito legal: Saudações de Pilsen, Czech !!! Belo encontro com os motociclistas hoje, e um presente - um adesivo do Pietro. Foi fantástico! O Brasil é um país lindo e agora sabemos que os brasileiros são pessoas incríveis. Desejamos-lhe muita quilometragem e tudo de melhor.
Saudações, Jiřík jr., Fascinou Anicka (garotinha) e seu pai (motociclista).
o Motociclismo é mesmo fantástico !

 

Sim, essa é a cidade origem do estilo de cerveja mais consumido no mundo, a Pilsen ou Pilsener. É um tipo de cerveja lager, da Segunda Revolução Industrial, com o avanço da microbiologia e da eletricidade refrigerando os equipamentos das fábricas e das casas dos consumidores. Iniciada por volta de 1840, é fabricada a partir de malte tipo Pilsen, lúpulo Saaz e água de baixa dureza, fermentados por levedo de baixa fermentação.
Ah, e sim também, as Checas são realmente na maioria muito bonitas, me disseram...





A cidade estava tendo uma festa, nem ao certo as recepcionistas do hotel sabiam do que se tratava, mas tinha muita comida de rua na praça principal, bebidas, apresentações folclóricas e teatro, muito legal. Jantamos por ali mesmo.



Depois ainda fomos dar uma volta pela cidade que é bem grande e muito bonita, a quarta maior da Checa. Uma cidade para voltar e ficar mais que um dia certamente.

DIA 15 (08 de junho) - Plzen CZ a Carbonin (Dobbiaco) IT - 548km


Saímos da Checa pelo caminho indicado no GPS e foi ótimo, estradas secundárias com paisagens bem legais.
Alguns quilômetros e já começamos a ver novamente os Alpes ao longe. Logo depois de entrar na Áustria paramos para comprar o vignette, esse mais barato.





Destaque para a Ponte Salzachbrücke (1903) entre Oberndorf bei Salzburg e Laufen, que é a ponte de fronteira entre a Baviera alemã e a Áustria.


E lá estava ele, o Paso Grossglockner, considerado o mais bonito da Áustria (48km com 36 curvas entremeio da montanha mais alta da Áustria), onde um ano atrás passei com a Milene. Esse dia estava bem frio, meio nublado também, então paramos todos no pedágio do Passo (26E) para colocar as roupas adequadas. Por precaução coloquei o conjunto de chuva, e foi ótimo, pegamos cerca de 2 graus lá em cima.




Logo que começamos a subida o tempo foi fechando, uma cerração bem espessa, quase uma chuva fechou tudo, não dava pra ver 5m a frente. No topo do passo onde tem a “torre” (monumento aos operários que trabalharam na construção) e uma boa parada com restaurante e bar, além de fechado não se via um palmo a frente. Frustrante… fiquei pensando em todo o empenho para levar o pessoal conhecer aquilo e sairmos de lá sem ver nada, chato pra caramba.




Continuamos mais uns 3km até entrarmos em um túnel, e ao sair, nossos olhos mal podiam acreditar, só mesmo vendo as fotos.


Que alegria ! Sorte ou merecimento, chamem como quiser, estava lá, toda a beleza dos Alpes austríacos a nossa disposição.


Legal poder rever parte da estrada que estive no ano anterior, Lienz foi a cidade que fiquei em 2018, mas dessa vez tocamos mais a frente, reservamos pelo booking um hotel perto da cidade de Dobbiaco, numa vila chamada Carbonin, já nas Dolomitas.



As Dolomitas possuem esse nome por causa do geólogo francês Deodát  Dolomieu. Foi ele quem descobriu as propriedades geológicas da cadeia montanhosa e em suas pesquisas viu que eram diferentes de outras montanhas da região. A predominância de carbonato duplo de cálcio dá às cordilheiras  um tom esbranquiçado, por isso elas também são conhecidas como Montanhas Pálidas.

Esse booking fica de palhaçada com a gente, só nos coloca em lugares feios...  Hotel Croda Rossa, nos pés das dolomitas. Croda significa uma espinha de rocha triangular com bordas afiadas. Também é uma rocha sedimentar da região do Veneto.


Vista da janela do quarto


Fomos muito bem atendidos, um seminarista que é gerente do hotel quando está de férias, algo assim (desculpem, mas ninguém lembrou do nome dele). Além de ser bom de conversa, nos ofereceu um coquetel de boas vindas no jantar e outras regalias e no outro dia na partida nos deu um terço para levarmos em nossa viagem. Agradecemos de coração !

Depois de banho tomado fomos jantar no hotel mesmo. Como é costume dali da região (e em várias outras da Itália) o jantar tem: primo piato, secondo piato e dessert. Mas não é fácil conseguir comer tudo, nem se esforçando. Eu fui de gnocchi quattro formaggi e um ragu de carne, tudo maravilhoso. Ah, coincidência, o prédio que ficamos se chamava Santa Catarina.

DIA 16 (09 de junho) - Carbonin IT a Canazei IT - 120km


O dia amanheceu maravilhoso, temperatura, céu azul… e as surpresas do dia ainda nem tinha começado.

Era a minha terceira vez pelas Dolomitas, todas sempre especiais, a primeira foi com a Milene em nossa primeira viagem a Itália (e Europa), a segunda o retorno com meus dois filhos (Giorgia e Lucca) e agora de moto fazendo vários passos icônicos da região, Fantástico !

Primeiro fomos abastecer a moto, então pegamos a mesma estrada que chegamos e continuamos até o primeiro posto que achamos.

Na Itália, com uma moto de marca alemã, emplacada na França, na Estrada Estatal Alemã pilotada por um brasileiro… Exemplo perfeito de globalização hehe

Voltamos um trecho para pegar o caminho para a entrada do parque Tre Cime di Lavaredo (três cumes de Lavaredo). O Caminho já é um desbunde. Chegando lá tem um pedágio para entrar, e aí que veio uma decepção, não estavam deixando motos subirem por perigo de gelo ! Cazzo !!! Ok, voltamos e paramos no lago da entrada do parque para umas fotos.

Tre Cime di Lavaredo

Entrada do parque onde as motos estavam proíbidas... tuo culo !

Frustrados mas otimistas paramos no belíssimo lago Antorno, bem na entrada do parque.



Depois fomos para o Lago Misurina que eu por acaso achei em 2011 e depois voltei com as crias em 2014, agora com os amigos.



Cortina D´Ampezzo, paramos as motos em frente a um prédio vazio e fomos andar pelo centrinho. Era domingo,  estava tendo um evento de ciclistas na cidade, além disso do desfile de carros exóticos… Ferrari, Lamborghini e até uma Lotus passou por nós.


Cortina D´Ampezzo


Achamos um restaurante logo ali do lado, fomos atendidos por um garçom que morou 6 meses no Brasil, e se virava muito bem no português. Comemos pizza e tomamos cerveja sem álcool.


Eu sinceramente não sei porque, mas achei que não teríamos mais passos deslumbrantes, imaginei passos mais arborizados e fechados, sem muitas vistas. Delícia de erro !




O Passo Giau conecta Cortina d'Ampezzo com Colle Santa Lucia e Selva di Cadore. A estrada é linda, curvas perfeitas em meio a montanhas nevadas de tirar o fôlego. Uma das paradas especiais é em San Vito di Cadore, dali se tem uma vista do Gruppo del Nuvolau, um dos grupos menos extensos dos Dolomitas, mas é caracterizado por formações rochosas arrojadas e pontiagudas, entre as quais se destacam as ousadas Cinco Torres de Averau. Culmina com o Averau (também chamado Nuvolau Alto) com 2647m.




Gruppo del Nuvolau

Como se não bastasse aí veio o Passo Pordoi, esse mais aberto, mas igualmente espetacular, Ali que em 2014 passei de carro no verão e estava todo com gelo na pista. Paramos para um café com aquela vistinha de fundo...



Depois mais alguns km e já chegamos a Canazei, outra bela cidade nos  pés das Dolomitas, bem estilo Tirol. Chegamos já final da tarde e depois de nos ajeitarmos no hotel fomos dar uma volta e jantar. A cidade estava bem vazia, quase sem opções já de restaurante aberto, mas encontramos um bem agradável e gostoso.




Eu fui de Goulash de cervo com polenta e funghi freschi, acompanhado de boa cerveja alemã.


DIA 17 (10 de junho) - Canazei IT a Veneza - 240km


Nosso roteiro era para o Passo dello Stelvio, depois seguir pelos passos da Suíça até Lugano na região dos lagos já novamente fronteira com a Itália perto de Milão. Mas olhando a previsão do tempo vimos que teria muita chuva e aí não aproveitaríamos a viagem. Decidimos então virar os pneus sentido tempo bom !

Meteo Messina, violenti temporali con grandinate tra 8 e 10 giugnoAllerta Meteo: attenzione ai prossimi giorni, tanti eventi estremi in tutt’Italia. In modo particolare al Sud tra 8 e 10 Giugno violenti temporali con grandinate, nubifragi e alto rischio di nuovi tornado.
Veneza foi a escolhida !!!

Sem mesmo saber acabamos passando por um ponto do meu maps que já havia marcado a muito tempo, o Passo Rolle que nos permite um outro ângulo das Dolomitas, lindo mesmo. Seguimos por lindas estradinhas cheio de curvas entre as florestas temperadas cheias de pinheiros, abetos e outras vegetações de altitudes.

Dolomitas pelo Passo Rolle

Mais a frente paramos ao lado de um lago de altitude em La frazione di Monte Croce O Pontet (A aldeia de Monte Croce O Pontet). Quando entramos no pequeno albergo fomos atendidos por uma gaúcha, a Gisele, que estava por lá para fazer a cidadania italiana. Muito papo, água e pipi.




E continuamos seguindo por estradinhas cada vez menores e agora sinuosas pelas encostas do Monte Grappa, até o Sacrário do Monte Grappa.




O sacrário foi construído em 1935 para abrigar os restos de cerca de 23mil soldados italianos e austro-húngaros da primeira grande guerra (1914-18) que estavam enterrados pelas redondezas, palco de grandes batalhas da época. Está a 1775m.



O Veneto e a grande guerra (1915-1918)
No final do século, o Veneto desenvolvia a sua agricultura, a indústria e o comércio, e as trocas comerciais Venezianas encontravam-se numa fase particularmente agitada. Mas quando a Itália entrou na guerra contra a Áustria em 1915, o Veneto tornou-se no principal teatro das operações de guerra. Toda a região se envolveu na acção: do Tagliamento às Dolomites e das baixas planícies aos Pré-Alpes.
Em 1915 os Italianos avançaram ao longo de toda a frente, no Vale do Ádige, nos Monti Lessini, nas Pequenas Dolomites, nas Planícies Altas de Asiago, Grappa, Cadore (Cortina foi imediatamente ocupada pelo IVº exército), os Alpes Carniche e em Carso. Em 1916, os Austríacos lançaram uma grande contra-ofensiva, especialmente na região de Trentino: a legendária resistência das divisões Alpinas na Planícies altas do Asiago e em Pasubio interromperam a sua marcha, forçando-os a virar-se para outra frente de batalha. Em 1917, o exército Austro-Húngaro (acima de tudo devido aos esforços do jovem capitão Rommel) foi bem sucedido na tentativa de quebrar as linhas de defesa de Isonzo (retirada de Caporetto) e de alcançar Piave onde foi rechaçado após duros combates. O mesmo ocorreu em Monte Grappa onde, mais uma vez, as Divisões Alpinas fizeram milagres para travar o avanço do inimigo.
Por essa altura, todo o peso da Guerra estava assente no Veneto: tinha perdido Cadore, Carnia e Friuli, as suas cidades (incluindo Veneza) eram bombardeadas e estava logo atrás das linhas da frente de batalha, servindo como sede organizacional da resistência. Os pontos cruciais eram Tonale, Grappa e Montello, juntamente com Piave. Em Outubro de 1918 os exércitos italianos lançaram uma enorme contra-ofensiva (a batalha de Vittorio Veneto) e forçaram os Austríacos, primeiro a retirar, e depois a assinar o armistício (Villa Giusti, perto de Abano, em 3 de Novembro de 1918). Assim, toda a região do Veneto foi libertada, juntamente com Trentino, Carnia, Friuli, Trieste e Istria, apesar do sacrifício material e humano (600,000 mortos) ter sido enorme. Ainda hoje há traços visíveis do enorme conflito nas montanhas do Veneto (trincheiras, túneis, capelas mortuárias, fortins, vestígios de armas), enquanto o doloroso épico, bem cravado no espírito das pessoas, é constantemente relembrado nas canções dos "Alpini" e nos habitantes das montanhas em geral.
Consiglio Regionale del Veneto

No meu blog hoje tenho cerca de 120mil quilómetros de estradas registradas, com relatos e fotos como sempre faço, mas esse trecho que pegamos na descida do Grappa em direção ao rio Piave, foi único, inesquecível e acho difícil ser superado (mas vou tentar sempre hehe). Todos ficaram literalmente embasbacados com a beleza e peculiaridade dele.




Apesar de se chamar Strada Provinciale 10 aquilo era mais um caminho asfaltado, primeiro descendo a encosta, estreita e com curvas bem fechadas, túneis cravados nas pedras da montanha (certamente da época da primeira grande guerra), depois se abriu em um vale verde com ruínas de pedras.



Uma câmera no capacete de cada registrando o sorriso seria o máximo. Paramos por ali para filmar e tirar fotos e todos estavam contagiados com o lugar.

Próxima parada foi na comuna de Farra di Soligo. Ali os familiares do Adelar, os De Faveri, por volta de 1888 imigraram para o Brasil. Ele descobriu uma prima por lá e fomos conhecer a localidade.


Paramos na padaria da família, fomos atendido pelo simpático marido da prima, e aproveitamos para comer algo, inclusive gentilmente pago pelo Adelar em homenagem. Ali é a região do Proseco, então nada mais justo que o brinde ser seu espumante da terra né. Figuras foram os locais que estavam por lá, parlaram, parlaram e parlaram… todos sempre alegres com uma bebida nas mãos !

Saluti a tutti De Faveri

Prosecco é uma casta de uva branca da família da Vitis vinífera, originária da região do Veneto, Itália. Seu nome também identifica o vinho branco espumante em cuja produção é empregada. Apenas duas regiões têm direito à denominação de origem controlada: as vilas de Valdobbiadene e Conegliano.
Reservamos o hotel em Mestre, a Veneza continental. A chegada foi estressante, o calor era grande, trânsito, demoramos para encontrar o hotel e ele não tinha mais vagas de estacionamento. Corre de um lado, corre do outro e só depois conseguimos perto da estação um estacionamento pago, e olha que não foi fácil hehe
Ele só tinha uma vaga para colocarmos as 06 motos… mas somos uns gênios, então...


Tudo resolvido, partiu jantar… e conhecer o centrinho de Mestre.

Mestre, Veneza continental

DIA 18 (11 de junho) - Veneza IT


Tiramos o dia para turistar em Veneza, sem moto, claro hehe
Pegamos o trem na estação de Mestre e descemos logo na próxima Santa Lucia.




Sem muito o que comentar, apenas curtam as fotos !



Ah, experimentei a Bellini, uma bebida típica de Veneza. O bellini, espumante com suco de pêssego, surgiu lá na Itália, na cidade de Veneza, em um pequeno estabelecimento conhecido apenas como Harry’s Bar. O ano era 1945, e o dono do lugar, que não era o Harry, mas sim um senhor chamado Giuseppe Cipriani. Dentro do seu estabelecimento, o Giuseppe Cipriani expunha um quadro do famoso pintor italiano Giovanni Bellini e, em sua homenagem, batizou esse drink maravilhoso que ele inventou.

Dessa vez também fui conhecer Murano, a ilha dos cristais de Murano. Me decepcionei, achei tudo muito decadente e abandonado, mas valeu o passeio de barco.



Fomo jantar perto do hotel, e a comida estava ótima, fui de massa com vôngoles e cerveja escura pra acompanhar.




DIA 19 (12 de junho) - Veneza IT a Ponte Taro IT  - 351km de moto e 120km de carro


Nosso ùltimo dia de moto :(
A retirada das motos da garagem foi bem mais tranquila, pegamos a estrada logo cedo e fomos em direção a Milão, mas ainda com uma parada bem especial, agora para o amigo Zé Ramalho.

Também por volta de 1878 os familiares do Zé imigraram para o Brasil saindo da pequena comuna de Commessaggio, e ele foi lá pra conhecer.


Muito quente nesse dia naquela região. Como já era hora do almoço fomos procurar algum local e encontramos um restaurante que parecia fechado, mas não, além de aberto foi muito legal.


Fomos atendidos por uma simpática moça, Giusy Turrà, que chamamos de prima hehe, seu irmão também bem atencioso. Zé explicou a situação, fez perguntas, sessão de fotos e tudo o mais.


O almoço, pago pelo Zé dessa vez, foi padrão primo, secondo e dessert, caseiro, bem servido, gostoso e foi algo em torno de 13E por pessoa.

Depois do almoço voltamos para as motos e era hora do soninho da turma, então fomos procurar uma sombra, e acabamos pegando o melhor, mais acolhedor e fresquinho local dali, a igreja.

 

É isso, entregas das motos na Hertz de Milão de 4100km de muita emoção, sem estresses maiores, 09 países, muita cultura, comida, bebida, risadas… mais uma pra conta !!!


Ali mesmo na Hertz conseguimos dois carros (500X) para rodarmos até a Toscana o dia da volta pro Brasil. Conseguimos um valor realmente bem especial com eles, com condutores extras, km livre, seguro completo com franquia zero, carros bons, tudo por 150E os três dias cada carro.


Como já era final do dia seguimos ainda um pouco até a encontrarmos um lugar legal legal pra ficar que foi Ponte Taro, no hotel San Marco. Já tínhamos comido na estrada então mais tarde fomos tomar uma cerveja no bar do hotel, bem agradável.


DIA 20 (13 de junho) - Ponte Taro IT a Volterra IT  - 251km de carro


Resolvemos seguir para Volterra por estradas secundárias como era de se esperar, mas os caminhos eram beeemmmm tortuosos hehe e tivemos problema com dois integrantes que se estragaram nesse percurso. Mas mesmo assim, conseguimos contornar o problema e seguir, mas devagar e sempre.

Perto da Toscana, já tem Paladini !

Toscana é algo fora do comum, mesmo nessas regiões mais montanhosas o que predomina são os grandes verdes que nessa época tem fardos e mais fardos de feno em enormes rolos, lindo mesmo.




As margens de uma grande Reserva ecológica, Appennino Tosco-Emiliano, encostamos em restaurante hotel na beira da estrada, seguindo a regra que se tem vários carros deve ser bom, erramos, não era bom… era ótimo! Ristorante La Baita d’Oro, além da comida espetacular a vista do local era algo a se pagar mais, o que não precisou hehe



Polenta ao cinguiale (javali), delícia !

Em 2011 quando da minha primeira visita a Itália, aluguei por dois dias uma Ducati Multistrada 1100 (uma bosta diga-se) e com a Milene fui dar uma volta pelas montanhas Toscanas, ali passei por uma ponte que nos chamou muito a atenção. Coloquei ela no nosso caminho novamente, e valeu a pena.


Ponte del Diavolo
Reza a lenda que o construtor desta belíssima ponte não estava conseguindo finalizar sua construção e a data de entrega estava chegando ao fim. O construtor, então, apelou ao Diabo para que ele o ajudasse a concluir. Fizeram um trato, o Diabo o ajudava e o primeiro ser passante seria oferecido ao mesmo. A ponte foi concluída e o construtor pensou em fazer passar um ganso, mas, arrependido, procurou um padre e foi aconselhado que fizesse passar um porco. Assim foi feito, e o porco foi tragado para as profundezas do rio Serchio.A ponte do diabo tem o nome oficial de Ponte Della Madalena, une as duas margens do rio Serchio na altura do pequeno lugarejo chamado Borgo a Mozzano. Sua construção remonta ao tempo da condessa Matilde de Canossa que teve grande influência e poder nesta zona da Toscana (La Garfagnana), mas seu aspecto atual se deve a reconstrução efetuada por Castruccio Castracani (1281-1328), senhor da cidade vizinha, Lucca.(Roseli, arteeviagem.wordpress.com)

Já perto de Volterra a região vai ficando ainda mais linda, pois começam as planícies. Numa das paradas para fotos vimos uma placa indicando o Teatro Del Silenzio, o que foi construído pelo Andrea Bocelli em sua sua cidade natal Lajatico para algumas espetaculares apresentações, assim nos dirigimos para lá.



Volterra é realmente maravilhosa, já de muito longe se vê a cidade erguida sobre uma colina (características , toda murada e com uma história de cerca de 3mil anos, desde os Etruscos.



Achamos um hotel bem agradável, perto do centro histórico da cidade, Hotel Foresteria Volterra. Fizemos o check-in e como já era tarde o restaurante do hotel já tinha fechado a cozinha, então nos arrumamos e fomos para o centro.

A noite essas cidades ficam linda demais, eles sabe como utilizar as luzes para destacar as edificações, dando um ar mais medieval ao lugar.

Fonte di Dociola


DIA 21 (14 de junho) - Volterra IT


Dia bem intenso, cheio de emoções…
Nesse dia o grupo se dividiu, acho que ninguém mais se aguentava hahaha. O Zé,valente, ainda resolveu me aturar.
Depois do ritual matutino fomos conhecer a bela Volterra. Entramos pela Porta a Selci da murada (séc XII) que fica junto a Fortezza Medicea que hoje é a Casa de reclusão.


infelizmente a guerra passou também por aqui...

Seguindo o muro por ali chegamos até as escavações arqueológicas da Acrópole da cidade Etrusca, que estavam meio abandonadas, ou em reforma, mas bem mal cuidada. Já chateados com isso o senhor que atende lá que é casado com uma brasileira nos levou até a cisterna romana, essa sim muito interessante.

ruínas Etruscas

Cisterna Romana

Num buraco no chão, uma escada que leva até o fundo da cisterna, que mais parece uma sala subterrânea. Ali as águas da chuva das partes mais altas eram direcionadas e armazenadas para abastecer a cidade, que engenharia fantástica naquela época.

Subimos até o topo da Torre do Palazzo na Piazza dei Priori, vista fantástica 180 graus da cidade.

 


Depois fomos ao Teatro Romano, fascinante.



Senta que lá vem a história… um pouco da minha origem italiana. Meu vô, Quinto Michelle Antonio Giovanni Paladini nasceu em Lucca em 1912, imigrou para o Brasil com 24 anos em abril de 1936, chegando no porto de Santos e indo depois para São Carlos interior de SP, depois morou na capital São Paulo onde faleceu em 1983 aos 72 anos por complicações cardíacas.
Meu vô teve duas irmãs, a mais nova Anna Maria Paola Paladini (1914) que faleceu em Lucca de tuberculose em 1942 (28 anos) e a mais velha Olimpia Paladini (1910) que conheci quando ela veio ao Brasil por volta de 1980, morou a vida toda em Lucca e faleceu em 1999 (89 anos). Meu bisavô Pietro (1866 - 1918, 52 anos) faleceu primeiro e depois a bisa Erina (1878 - 1957, 79 anos).
Moraram a vida toda numa casa bem grande na Via Borgo Giannotti em Lucca, até achamos que outras gerações da família também viveram ali. Reza a lenda que na época da guerra abrigaram escondidos judeus na casa, e por isso eram muito bem quistos na cidade.
Ao final da guerra a família Paladini meio que adotou uma menina de 15 anos, Anita, para ajudar nos trabalhos da casa. A menina se envolveu com um soldado Canadense e engravidou, sendo expulsa de casa. Nasceu em seguida Piero.
Na década de 70 meu vô Quinto teve seus primeiros problemas sérios do coração e precisou fazer uma grande cirurgia, precisando de dinheiro.
Resolveram então vender a casa da Itália. Um grande empresário da cidade, da Olivícola Bertolli fez uma oferta mas com a condição de só pegar a casa quando minha tia morresse.
Com o dinheiro a parte do meu vô veio para o Brasil para as despesas médicas e a parte da tia ela comprou uma casa em Cardoso, uma região de montanha de Lucca.
Anita era da família já, uma irmã praticamente, o Piero já era um filho para a Zia, que nunca se casou e teve filhos. Assim minha tia deixou a casa para ela quando faleceu.
Piero se casou com Loreta e teve uma filha, a Cristina, casada com o Cristiano trabalham junto como restauradores na Itália. Anita faleceu em 2017, com 87 anos.
A casa que era da família Paladini em Lucca

bisnonno Pietro e Erina

Zia Olimpia e minha prima Ana Carolina e meu nonno Quinto e eu

Toda essa história para ilustrar um acontecimento especial do dia. Fomos subir a Torre Toscana, mais uma das torres da cidade, como sempre o amigo Zé puxa um bom papo, isso é sempre muito legal. A senhora que estava na recepção ao ouvir meu nome Paladini, me olhou toda alegre e disse que conhecia do Brasil o Donglei e a Ana Carolina, meu tio e prima. Foi aí que eu disse que era parente deles, quando ela se apresentou como Loreta !!!
Muito emocionante, afinal é parte da minha família !
Comentei com ela que já estava em contato com a Cristina e que a noite iríamos tentar nos encontrar.

Eu e a Loreta parlando e parlando...

Volterra é linda até de cima...




 
Fomos almoçar. Polenta al cinguiale e birra alla spina.

Visitamos o museu Guarnacci, um museu muito respeitado por reunir a maior herança etrusca do país. Destaque para o enorme acervo de urnas cinerárias etruscas, a maioria em pedra alabastro.



Outro objeto que me deixou intrigado foi uma correntinha de ouro. Não posso crer que a mais de 3mil anos os caras conseguiram tamanha perfeição, tem caroço nesse angu…


Voltei para o hotel para dar uma descansada e arrumar as malas de forma organizada para a viagem de volta. Mais tarde fomos jantar ali no hotel mesmo, comida bem gostosa, bom vinho e preço justo, tudo perfeito, mas ainda iria melhorar.

melone con prosciutto, sapore dell'infanzia

Eu, Cristina, Loreta, Piero e Cristiano

Chegaram no hotel o Piero, a Loreta, Cristina e Cristiano. Que alegria, conhecer essa família que a tantos anos ouço histórias. Batemos um bom papo italiano, daqueles falando alto, gesticulando e rindo muito. Amei conhecer eles pessoalmente, e certamente nos veremos mais vezes.

Senta que lá vem outra história... lembra do Monte Grappa então, lá vai uma interssante coincidência da minha viagem de 2014 ali na região.
Eu, Milene, Giorgia e Lucca fomos conhecer o Sacrário do Monte Grappa, era meados de dezembro, um dia típico de inverno. Subindo a escadaria principal ao meio da densa cerração vimos um vulto de um senhor de idade, depois de controlar o arrepio na espinha, afinal estávamos em um cemitério de guerra, ele veio gentilmente nos explicar sobre o local, que a direita era o ossário austro-húngaro e a esquerda o italiano, certamente ele deveria ter muita história por ali e uma atenção especial naqueles que vão visitar.
Assim que terminamos de subir começou a nevar, a primeira vez a gente nunca esquece hehe. Depois de visitar o local voltamos para o refúgio, como são chamados os restaurantes, pousadas e cafés desses locais mais altos. Lá dentro tem uns armários com vários objetos das guerras encontrados no monte (principalmente da primeira grande guerra, onde ali foi palco de uma das batalhas mais importantes da Itália). Um dos objetos me chamou muito atenção, uma lata de azeite toda retorcida e enferrujada, mas com um nome conhecido F. Bertolli di Lucca.
Essa lata é praticamente a mesma que tenho em casa, recordação do meu vô Quinto, guardo ela a muitos e muitos anos.
Os Bertolli são de Lucca (cidade natal do meu vô, nome do meu filho) e a família deles que comprou a casa da Itália como relatei mais acima. Levando em consideração a data (perto de 1918), a dificuldade lojistica de distribuições de produtos e o tamanho das indústrias daquela época, acho mais provável que algum Toscano estivesse lá pra Veneto na guerra, e levou junto, mas isso é apenas achismo meu.

a lata do museu e a minha...


DIA 22 (15 de junho) - Volterra IT a Milão IT - 350km


Dia de voltar para o Brasil.
Primeiro um bom café da manhã ! Eu até não tenho muito costume de comer de manhã, mas essa turma dava prejuízo nos hotéis.


No caminho paramos em Pisa para o pessoal conhecer.




E assim terminamos mais essa grande viagem, só alegrias. Obrigado ao grupo que tornou possível  esse sucesso !!! Que venha a próxima !





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8 comentários:

  1. Foi um excelente roteiro Pietro. Muito obrigado pela organização.

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  2. Que viagem maravilhosa, Pietro! Poder compartilhar da companhia dos amigos, da filhota, em lugares lindos,com boa comida e BEBIDA ��, disfrutando tudo isso de moto! Simplesmente espetacular!

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  3. Show de bola , tudo maravilhoso

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  4. Pietro, parabéns e muitíssimo obrigado pela organização da viagem e por fazer esses registros tão bacanas! Foi show!!! Foi um privilégio e uma grande alegria ter participado dessa viagem. Inesquecível. Grande abraço!
    Vitor

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  5. Parabéns pela descrição em detalhes. ... sou mototurista ... muito li da a viagem

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