"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver” Amyr Klink

sábado, 25 de agosto de 2018

Trás-os-montes, Portugal

E cá estou de novo por terras lusas.


Vim para Portugal,  Porto, para acompanhar minha filha que vai estudar e morar por aqui alguns anos (muitos tomara). Durante a semana estamos cuidando das documentações etc e é claro que  final de semana não poderia faltar uma motocada.

Quando estive aqui em 2016 com a Milene, também aluguei uma moto, a ideia era ir até a fronteira com a Espanha, em Soajo, mas no dia choveu e fomos apenas até Ponte Lima (relato aqui: De mota por terras Lusas).
Sempre falo que quando faltou cumprir algo nos roteiros é motivo para retornar, e assim foi.
A região escolhida para este final de semana foi bem ao norte, saindo de Porto e chegando até Brangança lá trás-os-montes e Alto Douro, aproveitando para rodar também por estradas da Espanha.


Aluguei novamente a moto com a Northroad, fui lá uns dias antes pessoalmente, falei com o Thiago  para ver os modelos e valores. Quis variar, e escolhi uma Royal Enfield Himalayan de 400cc, monocilíndrica estilo trail, um lançamento da marca, 130€ os dois dias com um par de luvas extra (eu trouxe meu capacete e luvas). Ao final do relato darei minhas impressões sobre essa moto.


Após a papelada partimos. Peguei inicialmente a A3 sentido norte e a primeira parada foi em Ponte de Lima para a Giorgia conhecer. Esse primeiro trecho em uma pista duplicada, perfeita, velocidade 120 km/h (não nas subidas pois a moto não rendeu em dois).

Ponte Romana

Praça principal


De Ponte de Lima até Soajo foram 40km, agora em estradas menores, mas igualmente perfeitas.



A maior parte do tempo só nós mesmos na estrada, sensacional.
Seguimos ao som do tuc tuc do motor...




Espigueiros
Também chamado canastro, caniço ou hôrreo, é uma estrutura normalmente de pedra e madeira, existindo no entanto alguns inteiramente de pedra, com a função de secar o milho grosso através das fissuras laterais, e ao mesmo tempo impedir a destruição do mesmo por roedores através da elevação deste. Como o milho requer que seja colhido no Outono, este precisa de estar o mais arejado possível para secar numa estação tão adversa como o Inverno.

Os famosos Espigueiros

Logo 10km depois estávamos em Lindoso. Primeiro paramos em um restaurante bem perto do castelo, o primeiro do roteiro. Demorou um pouco mas a comida estava bem gostosa e bem servida.

Bacalhau !!!

De panças cheias, fomos visitar o castelo de Lindoso.


Castelo de Lindoso
Erguido na Idade Média, com a função de vigia, defesa e marco de soberania da fronteira.
Construção por D. Afonso III, por volta de 1250.


Lindoso fica 4km da fronteira com a Espanha, por onde rodei por alguns 60km até entrar novamente em Portugal para chegar em Montalegre.


Entrimo, Orense, Espanha

Esse belo castelo deixei a Giorgia fazer a visita sozinha, fiquei organizando o GPS, "tirando umas chapas" e tomar uma água na taberna anexa ao castelo, muito legal.



Castelo de Montalegre
Erguido na Idade Média, com a função de vigia, defesa e marco de soberania da fronteira.
Construção por D. Afonso III, por volta de 1273.


Novamente peguei a estrada sentido Espanha, andando mais uns bom kms em terras espanholas, retornando a Portugal no extremo noroeste em Bragança, que me pereceu ser a maior cidade da região.

Comunidade Autónoma da Galícia


Castanhas Portuguesas

Castanheiras

Rodamos nesse dia 350km, 8h de viagem com as paradas, almoço, cafés, visitas e castelos, rendeu bem.

Pelo booking já escolhi o hotel, Classis, muito aconchegante, quartos amplos, ótimo banheiro, café da manhã simples, mas gostoso.


Acomodamos as coisas, tomamos um banho e fomos dar uma volta na agradável cidade.







Escolhemos um restaurante que estava bem movimentado, esperamos uma mesa mais de meia hora, mas valeu a pena. Muito agradável o lugar e de comida boa e bem servida.

Restaurante Poças

No domingo, mais um dia de céu azul e calor (chegou a fazer 39 graus). Primeiro fomos visitar o Castelo de Bragança, Uau! Belíssimo castelo, rodeado de muralhas, muito bem conservado, um museu bem interessante.



 



Subi até uma rua para ter um bom angulo geral do castelo e suas muralhas.


Castelo de Bragança
Construção por volta de 1180, iniciando pelas muralhas e 1438 a Torre de Menagem.

A Torre de Menagem, em arquitetura militar, é a estrutura central de um castelo medieval, definida como o seu principal ponto de poder e último reduto de defesa, podendo em alguns casos servir de recinto habitacional do castelo.

A lenda da Torre da Princesa
A tradição local refere que há muito, quando a povoação ainda era a aldeia da Benquerença, existiu uma bela princesa órfã, que ali vivia com o seu tio, o senhor do castelo. Esta princesa apaixonou-se por um nobre, valoroso e jovem cavaleiro, porém carente de recursos. Por esse motivo, o jovem partiu da aldeia em longa jornada em busca de fortuna, prometendo retornar apenas quando se achasse digno de pedir-lhe a mão. Nesse ínterim, durante anos a fio, a jovem recusou todos os seus pretendentes, até que o seu tio, impaciente, prometeu-a a um amigo, forçando-a ao compromisso.

Ao ser apresentada ao candidato do tio, a jovem confessou-lhe que o seu coração pertencia a outro homem, cujo retorno aguardava há anos. A revelação enfureceu o tio, que decidiu aumentar a coerção por meio um estratagema: nessa noite, disfarçou-se como um fantasma e, penetrando por uma das duas portas dos aposentos da princesa, simulando ser o fantasma do jovem ausente, afirmou-lhe com voz lúgubre, que ela estava condenada para sempre à danação, caso não aceitasse casar-se com o novo pretendente. Prestes a obter um juramento por Cristo por parte da princesa, milagrosamente abriu-se a outra porta e, apesar de ser noite, um raio de sol penetrou nos aposentos, desmascarando o tio impostor. Daí em diante, a princesa passou a viver recolhida na torre que hoje leva o seu nome, e as duas portas passaram a ser conhecidas como Porta da Traição e Porta do Sol, respectivamente.


Tocamos até a cidade de Chaves, 110km por um caminho mais longo, mas mais rápido, A Giorgia não está acostumada a ficar no banco da moto por muito tempo, então dor na bunda e costas são normais. Além disso, o banco da Himalayan não é necessariamente um exemplo de conforto para longas viagens.

Em chaves primeiro fomos comer algo. Na praça Experimentei o Prego com queijo, delícia... Giorgia foi de pizza, que também estava bem gostosa.


Depois fomos ver o Castelo de Chaves, que infelizmente estava fechado, mas mesmo assim lindo, seus jardins são maravilhosos.



Sotto la gronda della torre antica...
Rondine al nido, Vincenzo de Crescenzo, 1926

noivos partindo para lua de mel !


Rodas na estrada, 150km até Porto pela Auto estrada, o limite foi o motor da pequena e a velocidade permitida. Chegamos as 16h, a Giorgia ficou aguardando o Thiago e eu fui abastecer a moto antes de entregar, missão complicada pois a maioria dos postos estavam fechado. Perto do Estádio do Dragão consegui, mas achei muito tranquilo e gostoso andar pelas ruas do centro de Porto, claro que num domingo.


Resumo:
Moto Royal Enfield Himalayan
02 dias
608 km
Altitude Máx: 1290m
Média: 20 km/l

Royal Enfield Himalayan
Fica bem difícil para eu avaliar a moto pois nunca tive e nem andei numa trail monocilindrica, o mais perto disso foi minha primeira moto a Honda Twister.
Achei que a vibração é bem aceitável, mas o barulho é muito grande quando na estrada em regime de maior velocidade. As autoestradas tem velocidade máxima de 120km/h e realmente ela não passou disso, nas subidas 100 km/h o máximo, estávamos em dois e uma bolsa no bauleto.
Já nas cidades, ladeiras etc a moto vai muito bem, ela tem bom torque, fácil de manobrar, pois é leve.
Achei ela bem bonita, bom acabamento, painel bem completo e robusta.
Creio que o alto consumo tenha sido por andar na velocidade máxima dela boa parte do trajeto.