"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver” Amyr Klink

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Atacama 2016 (de carro)


Mais um "passeio" da família Paladini, dessa vez procuramos o calor, areia, pó, pedras... simplesmente o inenarrável Deserto do Atacama.

Sim, de carro! Mas por que postei aqui no meu blog de viagens de moto? Pois como motociclista, mesmo em quatro rodas minha visão e percepção eram de duas rodas... Espero que os meus comentários auxiliem os colegas de moto nas suas viagens.

Eu e a Milene já tínhamos passado pelo Atacama duas outras vezes, de moto:
- Atacama 2010 - Ver relato, clique aqui
- Machu Picchu 2013 - Ver relato, clique aqui
mas foi muito de passagem, sem aproveitar o local como se deve. E assim, por livre e espontânea pressão das crias, lá fomos nós conhecer devidamente o Deserto do Atacama.

Tínhamos um tempo restrito,(9 dias) saímos dia 21dez e voltamos no dia 29dez. O planejamento foi importante, pois com pouco tempo teria que ser certeiro.

Muita dificuldade em encontrar informações sobre os passeios no Atacama sozinho, de carro (ou moto), sem pagar os guias, as agências. Entendo, afinal é o ganha pão deles, então melhor dizer que tudo é perigoso e que sem eles é impossível. Mas não é assim, vou explicando em cada um dos locais como funciona.

5h da madruga, partiu! BR 470, a famigerada. Na ida tudo certo, pois como saímos bem cedo e dia de semana pegamos o trânsito padrão até Pouso Redondo, depois libera.


Dessa vez fiz a aduana em Paso Rosales, que fica logo depois da cidade de Paraíso SC, assim não precisa subir até Dionísio Cerqueira pra depois descer de novo pela Argentina. Atenção pra encontrar a aduana: a estrada em certo ponto termina, está bloqueada, aí no meio do mato tem uma entrada de terra que leva até o complexo fronteiriço. Uma única atendente, mas ágil, foi muito rápido. Eles fecham no almoço, então quando chegamos estava fechada a cancela, mas a atendente adiantou toda a documentação, esperamos mais 10min e tocamos em frente.

Paso Rosales, logo após a aduana


Ai estão as estradas Argentinas, chupa Brasil... mesmo em crise a diferença é estúpida, quase não encontramos buracos, pistas livres a maior parte do tempo. Não tem acostamento, então a atenção é sempre muito importante.

Retões da região das Missiones

A região de Missiones está numa faixa de ecossistema igual de Foz do Iguaçu, então é muito verde, matas fechadas e lindas, subidas e descidas.

Chegamos em San Ignacio pelas 17h, depois de 910km nesse dia, bem tranquilo. Ainda muito sol e calor, fomos pro hotel trocar de roupa e aproveitamos pra visitar as Ruínas Jesuítas da Missão de San Ignácio Miní.

Ruínas Jesuítas da Missão de San Ignácio Miní


Essa simpática cadelinha nos encontrou ainda perto do hotel, nos acompanhou por toda a visita e depois retornou com a gente pra perto do hotel.

Nossa amiga na visita as ruínas...

As ruínas são lindas, estão em ótimo estado de conservação, muito amplas, bem maiores que as de São Miguel das Missões.




De volta pra estrada, os postos YPF são boa opção pois possuem conveniência, mas estão bem caidinhos... Grande dificuldade de aceitarem cartão de crédito em tudo que é estabelecimento comercial que fomos, filas grandes nos caixas automáticos, isso os que tem dinheiro, pois a maioria não tem.

Já foram melhores, mas ainda são a melhor opção da Argentina

As medialunas

Aqui uma advertência: um brasileiro que encontramos em Salta nos contou que ao passar por Corrientes, na pista central que tem muitos semáforos, uma moto com dois safados quebrou o vidro de trás da camionete e puxou a bolsa da esposa. Disse que está acontecendo isso com frequência.

Ponte General Belgrano, Corrientes AR

Retões do Chaco AR

A estradas da região do Chaco são retas intermináveis, tem uma de quase 600km, de vez em quando uma pequena curva na entrada das localidades. Vale algumas dicas: as estradas não tem acostamento, então atenção nas ultrapassagens. Existem dois tipos de motoristas argentinos, os que andam a 50 km/h e os que andam a 150 km/h, então tem que analisar bem o que vem na sua direção antes de ultrapassar. Não vi nenhuma fiscalização com radar nas estradas, nas cidades tem pardais sinalizados. Os policiais foram todos absolutamente gentis e certos, nada de propina ou qualquer outra ação, eles fazem as barreiras no meio da pista, eu parava ao lado com o vidro aberto para verem dentro do carro e tudo certo, já liberavam.



Retões... cordilheiras ao fundo

A Formação das Cordilheiras dos Andes

A Cordilheira dos Andes é uma extensa cadeia montanhosa situada na América do Sul. Esta cadeia montanhosa atravessa países como a Venezuela, Chile, Argentina, Peru, Bolívia, Equador, Colômbia e por fim a Patagónia. A sua formação geológica é do período Terciário da Era Cenozóica. Possui 8000 Km de extensão e o seu ponto mais alto com 6962 metros, chamado pico do Aconcágua.
Caracteriza-se, por ser a mais extensa cordilheira continental do mundo.


Esse acidente geográfico é resultante do encontro e atrito entre duas placas tectônicas: a Placa de Nazca e a Placa Sul-Americana. Ao haver o choque entre essas duas placas, a mais pesada (a de Nazca) afunda em direção ao magma da Terra, enquanto a placa mais leve (a Sul-Americana) sofre com deformações, que dão origem às grandes cadeias de montanhas e aos vulcões.
Estudos recentes mostram que o soerguimento dos Andes continua devido aos constantes movimentos das placas tectônicas dessa região.

E chegamos às cordilheiras...

Nesse segundo dia rodamos 1200 km em um pouco menos de 12h. Lembrando que escurecia pelas 21h nessa época. Chegamos a Villa San Lorenzo, em Salta, fora do centro. Lugar lindo, um bairro muito arborizado cheio de mansões, maioria virou hotéis pelo que notamos. A Posada de Los Poetas foi perfeita, quartos gigantes, tudo muito limpo, banheiro ótimo, preço mais que justo...

Posada de los Poetas, Villa San Lorenzo, Salta AR


Comemos muito bem num restaurante da Villa, comida típica argentina.

Tamal


Novamente saímos bem cedo, às 7h, depois do café da manhã que foi um show a parte, o melhor de toda a viagem. Hoje o dia prometia, e cumpriu... Paso de Jama!


As cordilheiras ao fundo já nos encantam e preparam o coração para as belezas que vem a frente. De Salta seguimos em direção a San Salvador de Jujuy e depois Purmamarca. Ali já vai mudando muito a paisagem, destaque para os Cardones, os cactos gigantes.

Los Cardones


Cerro de las siete colores

Ali nos cerros as cores são de encher os olhos, mas lembre de passar ali de manhã, a tarde o sol muda de posição e só se vê um degrade de cinzas (que também é lindo).





Salta já está a 1200m de altitude, Purmamarca 2300m. Quando saímos dos caracoles já estamos a mais de 4000m, chegando a 4835m conforme o GPS memorizou.

Os Caracoles, depois de Purmamarca AR


Chegamos a 4835m de altitude

Salinas grandes ao fundo

Salinas Grandes


Salinas Grandes
212 km2, ficando 3450m de altitude. Origem entre 5 e 10 milhões de anos, com espessura média de 30cm.









Todo motociclista conhece esse lugar... Pastos Chicos, um oásis no meio das areias e pedras.

Pastos Chicos, Susques, Jujuy AR

A moto e agora o carro...



Laguna Negra


Uns 40km antes do tobogã, uma íngreme descida (1700m em 20km) que cai diretamente em San Pedro de Atacama está o maravilhoso Licancabur.

Licacabur e Juriques

Conta a lenda que, no pequeno espaço ao lado do Licancabur (vulcão do povo) e do seu irmão Juriques (sem cabeça), estava outro vulcão, uma dama chamada Quimal. Ela e Licancabur eram perdidamente apaixonados um pelo outro.

Juriques também era apaixonado por Quimal, e morria de ciúmes do irmão. Um dia, enfurecido por Licancabur ser o vulcão favorito do povo, de seu pai Lascar (língua de fogo) e ainda ter correspondido o amor a mulher que ele amava, tenta possuir Quimal à força.

Isso despertou a fúria de Licancabur, e os dois irmãos começam uma briga épica, desordenando todo o equilíbrio da região.

Lascar, pai de ambos, ao saber da briga, afasta Quimal dali e corta a cabeça de Juriques como punição pela traição. Outra versão da história diz que Licancabur cortou a cabeça de seu irmão, e Lascar, como punição, afastou sua amada.




Ufa, que dia... chegamos em San Pedro de Atacama, umas 17h, ainda muito quente. Ficamos em uma cabana uns 6km do centro da cidade, só valeu mesmo pois estávamos de carro. O calor dentro da cabana era grande, pois estava toda fechada, na hora fiquei P*** pois não reparei que não tinha ar condicionado na reserva. Mas depois relembramos que não é necessário, de noite a temperatura chega fácil perto dos 10 graus, e sempre tem um vento... (e poeira e moscas)


Depois de tomar um bom banho fomos pro centro da cidade pras crias conhecerem. O carro deixamos sempre no estacionamento público perto da feirinha (muitas frutas gostosas e com bom preço).

Foto clássica com o Licancabur ao fundo



Madeiramento do teto da igreja é de Cardone (cacto)


Apesar do cansaço, esse primeiro dia ainda foi longe, teve o primeiro "evento", um dos mais esperados e festejados pelos dois, o Tour Astronômico.

TOUR ASTRONOMICO - SPACE OBS

Não tem foto nenhuma, pois foi às 23h em um local afastado da cidade, na mesma direção de nossa pousada uns km a frente. Chegamos e nem pude acender o farol do carro pra não atrapalhar a visão do céu. Eu já tinha reservado pela internet uns dias antes, se não é impossível conseguir, no centro da cidade fui até a agência pagar para a noite ir.

Foto do site do Space Obs (www.spaceobs.com)

Chegando lá é feita uma apresentação de quase 1h explicando sobre o céu, estrelas, etc etc,. Depois em um pátio com cerca de 12 telescópios de diferentes tamanhos você consegue ver de perto muita coisa, é realmente muito legal. No final tem um tempo com um astrônomo para tirar dúvidas.
Minhas observações: leve roupa de frio, como é ao gelo livre, faz frio pacas. Poderia ter uns bancos na hora da apresentação inicial.

No outro dia de manhã dormimos até um pouco mais tarde e depois fomos fazer nosso primeiro passeio sozinhos pelo deserto do Atacama. Confesso que estava apreensivo sobre as estradas, acessos e etc, mas tudo foi muito fácil. Eu já tinha colocado no GPS todos os pontos que queria visitar. Uso sempre os mapas atualizados do Proyecto Mapear no GPS Garmin.

TERMAS DE PURITAMA

Saindo de San Pedro fomos em direção norte, mesma estrada que vai para os geisers El Tatio. Na metade do caminho tem uma bifurcação com placas indicando em frente as termas e para esquerda a localidade de Machuca e El Tatio. A estrada é de rípio, mas tão batido que parece mais um asfalto, pouco buracos, poucos trecho com costelas. Achei tranquila pra se fazer moto também.



Ao chegar paga a entrada e depois deixa o carro em um estacionamento, aí vem uma descida grande (claro que o pior é a subida de volta). Não pode descer de veículo, só o deles de emergência...


A termas se encontram no fundo de um cânion por onde corre um rio de água quente a 33,5° C. O significado mais provável de Puritama na língua Kunza é Puri: água; Tama: quente. Este lugar tem sido usado para fins medicinais pelos atacameños desde os tempos antigos. Suas águas sódio sulfatadas são recomendados para reumatismo, artrite, stress, fadiga física e outras doenças.


A estrutura é ótima, tem 8 "piscinas", no horário que fomos tinha nós e mais meia dúzia bem distribuídos, então pegamos a terceira piscina vazia. Que delícia!!! Água morna, apesar do sol quando sai faz um frio pois tem sempre um vento gostoso. Relaxante mesmo.



Tem vestiários, banheiros muito limpos, área para lanchar... um oásis.


Mais tarde fomos fazer outro passeio, a ideia era ir até a laguna Cejar (aquela que não se afunda de tão salina), mas a mesma está fechada pra banho desde novembro pois o índice de arsênio é 50x maior que o máximo permitido. Mas ali do lado tem outra Laguna pra visitar.

LAGUNA TEBINCHIQUE e OJOS DEL SALAR

Pegando a estrada (asfalto) sentido Toconao, uns 25km depois do centro de San Pedro vai ter uma placa indicando a entrada para a Laguna Cejar e Laguna Tebinchique, acessando a estrada de rípio em ótimo estado segue mais uns 10 km e vai ter uma bifurcação indicando a Cejar ou seguir pra Tebinchique. Para surpresa no meio do caminho estão os Ojos del Salar, duas lagoas de água doce que brotam no meio do salar, muito doido.



Seguindo a estrada mais adiante vai ter a casinha de controle e venda da entrada, pelo que entendi todos os pontos turísticos são controlados pela associação indígena, e vale comentar que estão de parabéns. A Laguna é muito grande, muito sal, água e um pano de fundo de deixar babando...
Outro passeio tranquilo pra se fazer de moto.

Olha quem está lá ao fundo... (nosso amigo Licancabur)


Voltamos para a cabana pra descansar, tomar um banho e ir pro centro, pois era noite de Natal! O restaurante escolhido foi o Adobe, que já conhecíamos da viagem de 2013.



Kafta de cordeiro, Bife de Chorizo, frango, cogumelos, quinoa,... Um bom vinho e a benção de estar com a família em um lugar tão especial.



Após uma boa noite de sono mais um dia de passeios...

LAGUNA BALTINACHE, a Laguna Escondida

Com o aumento da entrada da Laguna Cejar para diminuir o fluxo de pessoas pisoteando o local e posteriormente o fechamento pra banho, acabaram descobrindo mais umas lagunas para se banhar, conhecidas como Lagunas Escondidas.

O caminho é bem legal, desertão mesmo. Pega a estrada sentido Calama, uns 15km tem uma rótula que adentra uma estrada de rípio, segue mais uns 45km no meio do nada (sacanagem, o lugar é lindo), no meio tem um campo minado (ao lado da estrada claro...)
Achei bom o trecho pra moto, nada de muita dificuldade.



Paramos pra fazer nossa Apacheta, as pedras empilhadas, tradição milenar dos índios como uma oferenda a Pachamama, a mãe terra. Pena que a máquina não capta a beleza da colina ao fundo, multicolorida como as de Purmamarca.




Não contem pra ninguém, mas os filhotes aproveitaram pra dar uma pilotada na caranga, só tinha nós na estrada por muitos quilômetros em cada direção.




Continuando a estrada 45km depois da rótula do asfalto vai ter a entrada do local. Pra minha surpresa nas pesquisas dizia não ter nenhuma estrutura, mas tem, na casinha onde se compra a entrada tem banheiros, chuveiros de água doce e até um café.


São oito lagunas, mas banho só na primeira e na última delas. Mais um lugar que chegamos praticamente sozinhos. Tinha uns franceses que poucos minutos depois foram pra última laguna e nos deixaram curtir sozinhos o local.

Logo ao sair o estado que se fica de tanto sal









Dali seguimos de volta e no meio do caminhos vimos mais um local, que não tinha no meu roteiro.

MIRADOR DE KARI, PEDRA DEL COYOTE

Vista espetacular do Vale da Lua. Fica bem na beira da estrada, fácil acesso. Também se paga uma entrada, mas faz parte do complexo do Vale da Lua, então a entrada serve pros dois locais.
Acesso tranquilo de moto pois está a poucos metros do asfalto.





Seguindo sentido San Pedro, bem perto da cidade tem as ruínas de Pukará de Quitor

PUKARÁ DE QUITOR

Pukará significa Fortaleza, essa era a função da estrutura que ficava bem ao alto. Proteger o povo atacamenho da época, os Ayllu.

Um Ayllu (quechua ou aimara), também aillo, é uma forma de comunidade familiar extensa originária da região andina com uma ascendência comum - real ou suposta - que trabalha em forma coletiva em um território de propriedade comum.

700 anos atrás, pois depois os Incas tomaram a região e depois os espanhóis, mas isso é outra história...



Dia nublado, até choveu, mesmo que muito pouco...


Quanta água...




Nova madrugada, acordamos as 4h para ir ver os Geisers El Tatio.

GEYSERS EL TATIO

São 90km até lá, a estrada no início é boa, até aquela bifurcação que vai pras termas de Puritama, depois começa a complicar, muitas costelas e buracos, isso tudo no escuro, nada fácil. A temperatura chegou no caminho a -7 graus, sim, negativos.

Com isso de moto não é nada fácil, imagino que esse seja um passeio pra se fazer com agência.

Lá estava mais tranquilo, 1 grau. Chegamos pelas 6h, antes das caravanas de turistas, deu pra aproveitar com um pouco de tranquilidade.



Levamos café e ovos cozidos que coloquei num dos bolsões de água quase fervendo pra esquentar, deu certo.
Como eu em 2013, as crias só colocaram os pés nas águas quentes, nada de banho, muito estresse hehe




A altitude do local é de cerca de 4300m, a temperatura da água que jorra em alguns momentos uns 10m de altura é de 85 graus.

E olha quem estava lá, a raposa... eu já sabia que ela aparecia pelo horário do café da manhã, vi ela em 2013, mas só a encontramos na saída do local, muita sorte.


Na volta já bem claro e a coisa foi diferente. Onde a estrada estava muito ruim coloquei a Outlander nas areias do deserto e toquei embora, muito tranquilo, bem melhor do que a estrada principal. Aproveitei uns trilhos na areia e segui.



Muitas Vizcachas, pequenos roedores

Laguna e flamingos rosas

Rio Puritama visto do outro lado


Voltamos pra cidade pra almoçar... e a pracinha tem wifi, e eles...


Mais tarde fomos visitar o Valle de la Luna.

VALLE DE LA LUNA

Foi bem mais interessante do que imaginava. O acesso fica bem perto da cidade, uns 2km sentido Calama, dali se paga a entrada e depois vai de carro pela estrada de rípio em ótimo estado. Moto também tranquilo, inclusive encontrei um grupo aqui do sul, um estava de HD, deve ter sofrido...

As formações rochosas são espetaculares, não tem uma única gramínea, nada de verde, realmente parece que estamos em outro planeta.


Paredão chamado de anfiteatro

Formação rochosa Las Tres Marias

Aqui encontramos um casal de franceses já de mais idade, mas com uma disposição de meninos. Ele que nos ofereceu para tirar nossa foto, depois retribuímos. Já viajaram para o Brasil e gostaram.

Fomos ver as cavernas de sal, muito legal, apertadas e escuras, meu joelho reclamou um monte... só tinha nós lá pra variar, mas quando saímos chegou umas três vans de turistas.

Cavernas de sal



Outra vista dele...

E como era o último dia, fomos ver o por do sol... o local escolhido foi a Pedra do Coiote que já tínhamos visitado. Um dos poucos momentos que ficamos cercado por muita gente, mas ali fácil de entender.



Olha o metido agora no laranja do por do sol

Vamos embora... mas ainda tem muita coisa no dia. Saímos bem cedo de San Pedro, rumo ao Paso Sico.

Ciao Sr. Licancancabur, até a próxima...

Tanque cheio pra enfrentar 360km sem posto de gasolina até San Antonio de Los Cobres já na Argentina. De moto certamente um problema grande, tem que levar combustível. Uma vantagem é que o consumo é baixo pois não venta muito, a diferença de altitude é de 1500m mas em várias etapas.



A pequena localidade de Socaire tem duas belas igrejinhas, uma mais moderna de pedra e outra da construção típica da região.



Logo depois dali que tive o único perrengue da viagem. Me veio uma grande dúvida, se o complexo fronteiriço do Paso Sico era integrado, se não fosse eu não tinha feito o processo de saída do Chile lá em San Pedro. Fiquei muito P*** da vida, por ter cometido essa mancada de não lembrar de averiguar isso. Não tínhamos por ali acesso a internet, então resolvi tocar até as Lagunas Altiplânicas e lá perguntaria para algum guia de excursão.
No caminho vi ao longe duas vans de turistas, mas eles não entraram para as Lagunas, então pé no acelerador até ultrapassar eles e parar uma delas pra perguntar. A van era de turistas brasileiros, o motorista chileno foi taxativo em dizer que eu tinha que voltar a San Pedro e fazer a aduana. Fiquei mais P. ainda...


Cagada feita resolvemos primeiro visitar as lagunas e depois seguir pra San Pedro... Chegamos as 7h45, o pessoal (uma família) que já estavam lá nos deixaram entrar mais cedo, o que foi ótimo. Tudo aquilo só pra nós!

LAGUNAS MISCANTI E MEÑIQUES

Localizadas a 100km de San Pedro, 4100m de altitude, tem um trecho de rípio bem ruinzinho do asfalto até a entrada, uns 10km só. No caminho vale observar o cinturão de pedras vulcânicas expelidas por um dos dois vulcões que dão nome as lagunas.


A lagunas são formadas pelas águas de desgelo, separadas por um fluxo de lava do Meñiques. A laguna Miscanti tem a forma de um coração.

Laguna Miñiques e ao fundo o vulcão



Realmente incrível esse lugar, vale muito a visita.

Vulcão Miscanti e mais ao fundo o Chiliques

Depois dali voltei para San Pedro, fui até a aduana, e... tempo perdido, 2h, combustível, paciência e muita vontade de socar aquele Farabuto! A aduana é integrada, não precisava ter voltado. Vida que segue...

Uns 20km depois da entrada das lagunas o asfalto acaba e começa o rípio, de tudo que é tipo, bom, médio, horrível. Uma hora achamos que estava entrando fumaça no carro, mas era o pó que entrava pelas borrachas da porta, pois com a trepidação muito forte acaba perdendo a vedação, parece um talco de tão fino. Por outro lado a temperatura agradável, cerca de 14 graus e as lindas paisagens valem o trajeto.

Ops, cuidado com o guanaco na pista

Ficamos o tempo todo acima dos 4mil metros variando até 4500m, subidas e descidas suaves, o carro fez 12 km/l ali em cima. Falando de consumo, a Outlander foi ótima, carro lotado, 4 pessoas e muita bagagem, ar condicionado o tempo todo. Nas subidas fortes dos pasos fez 7 km/l mas em trechos de altitude mais planos fazia quase 12 km/l. Lembrando que é uma 6 cilindros de 240cv. A média da viagem ficou perto de 10 km/l andando bem forte, achei ótima.


Logo depois desse grande paredão fica a aduana integrada, tudo muito rápido, todos muito educados, demoramos uns 40min no máximo.





Quando chegamos em San Antonio de Los Cobres achamos que terminaria o rípio... não, estrada em pavimentação ainda andamos acho que perto de 100km de chão.


Em Los Cobres, depois de abastecer com ainda quase meio tanque, paramos no Hotel de las Nubeles, outro oásis. Pedimos umas empanadas, umas eram de Lhama, deliciosas! A atendente ainda me fez cambio de dólar pra Pesos Argentinos com um ótimo cambio.

Então, de moto... esse Paso Sico é dureza, são uns 300km bem complicadinhos, trechos com muita areia, pedras soltas, costelas... tem um caracoles chegando a Los Cobres, nada fácil. Para quem gosta de off-road é uma boa, mas quem não gosta e não está costumado fuja dele...




Sabem como é a volta né... poucas fotos e muita estrada.


Ops, deu ruim... Coitado do pássaro.

Fomos dormir em Joaquín Víctor González, 740km sendo metade de rípio, até que rendeu muito bem o dia. Dormimos (e recomendo) no pequeno hotel a beira da pista, Hostal El Portal. Simples mas confortável e com preço justo. Logo em frente tinha um Resto bar Lo de Pocha, comida boa e cerveja gelada.

Próximo dia, 1120km até Eldorado, pequena localidade das Missiones. Novamente um hotel de pista, mas esse muito bom. Quarto gigante, banheiro ótimo, piscina. Pedimos comida e jantamos por lá mesmo, cansados.

Logo cedo tocamos até Bernardo de Irigoyen pois queria fazer uma compras de vinhos e guloseimas, que apesar dos preços mais altos da argentina ainda são muito, mas muito mais baratos que aqui. Os vinhos paguei menos da metade, queijos e doces mais ainda.

Aí vem a história triste da viagem... entrar de novo nas estradas do Brasil... que vergonha, que desgosto... demoramos quase 10h para fazer 640km... eu fiz 1200km em 11h na Argentina.  Lastimável...

Como sempre, cansados mas felizes, em casa !!! 6mil km em 9 dias de muita diversão.