"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver” Amyr Klink

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Patagonia 2017



Difícil começar um relato de uma viagem desse porte;  não só pelo número de dias, mas pela riqueza de acontecimentos, foram tantos locais, paisagens, sabores, desafios...

05 motos (02 casais e 03 desgarupados)
Brasil, Argentina e Chile
24 dias
12807 km percorrido (400km de rípio)
730 litros de gasolina (por moto)
17,5 km/l de média (todas 1200cc)
10 aduanas em 08 Pasos diferentes:
- Paso Santo Tomé São Borja
- Paso Cardenal Antonio Samoré
- Paso Futaleufú
- Paso Ingeniero Ibañez Pallavicini
- Paso Rio Jeinemeni
- Paso Dorotea
- Paso Austral
- Paso de Los Libres
19 cidades de pernoite
Temperatura máxima: 45 graus
Temperatura mínima: 4 graus
0 dias de chuva
Altitude máxima: 1309m
Retorno: 5.000km em 5 dias (para 03 motos)


Já fazia 3 anos e meio desde minha última grande viagem: Peru, Machu Picchu. Normalmente o planejamento é tranquilo e com muita antecedência, mas dessa vez não foi assim. Iniciamos as conversas e muitos do grupo não conseguiram definir se iriam ou não  até muito perto da viagem, e, infelizmente, dois casais não conseguiram participar.

Assim, depois de muitas alterações, definimos o roteiro. Escolhemos os principais pontos de interesse, marcamos as datas, fizemos muitas reservas de hotéis pelo booking e torcemos para não dar nenhum furo no cronograma... e quase conseguimos.

Os casais Yamada e Antonieta (do RJ) e Glennan e Helena (de Juiz de Fora, MG) vieram até Blumenau, chegando no dia 25/jan para nossa partida no outro dia. De Blumenau, fomos eu, André e Zé Márcio.

SoyLocos reunidos para o briefing final

Jantar na Taphyoca, Blumenau SC


1° Dia, Blumenau até São Borja - 872 km


De manhã bem cedo, pelas 6h, encontramos com o pessoal no hotel e tivemos a satisfação dos amigos Adelar e Savio estarem lá pra despedida. O Savio iria fazer o mesmo percurso dias depois com a esposa na garupa e o filho com a namorada.



A tocada inicial foi tranquila, pois tem muito radar no caminho. As estradas, como sempre não são as melhores, mas até que esse trajeto estava razoável. Como saímos bem cedo, quase não pegamos trânsito.Chegamos  no final da tarde.



O escolhido para esse dia foi o Obino Hotel, simples, mas bom, preço justo. Comemos ali mesmo no restaurante do hotel (pratos de massa) e fomos descansar para o próximo dia.


Garagem precária pras motos, junto com a lenha, mas de portão trancado

Os primeiros dias são sempre mais difíceis, o corpo ainda está se acostumando e dói tudo.

2° Dia, São Borja até Firmat AR - 900 km


A passagem pela fronteira Paso San Tomé São Borja foi bem tranquila, sem grandes filas. Aproveitamos pra fazer ali o câmbio numa agência (brasileira) dentro da aduana mesmo, conseguimos boas taxas.



Seguimos pela Ruta 14, já nos acostumando com as boas estradas argentinas (e Chilenas): retas, sem buracos, pouco trânsito...



Poucos pedágios e baratos 

A passagem pela região de Rosário é linda, tem muitos lagos perto da pista e a paisagem muda muito durante o percurso.

Nessa primeira etapa da viagem nós não reservamos hotéis, pois não sabíamos o quanto ia render o grupo. Nesse dia rodamos bem (900km) e paramos em Firmat AR, cidade pequena, mas organizada. Fomos atrás de hotel e ficamos no Posta de Juarez, bem agradável. Vale comentar que eu fiquei em quartos triplos, junto com o André e o Zé Márcio, e na maioria das vezes era complicado, pois os quartos não são maiores por isso, então o espaço muitas vezes era bem reduzido.

Cerva geladinha enquanto aguardamos o quarto ser liberado

Jantamos no restaurante do hotel mesmo, por sinal muito bom. Vinho nacional e bife de chorizo a lo pobre (nosso bife a cavalo).


3º Dia, Firmat AR até Catriel AR - 946 km


Nem imaginamos, ao sair de manhã cedo com agradáveis 18 graus, que o dia iria ser tão "infernal". Pegamos a Ruta 33 (ahhh, o 33!), belíssima, banhada por lagos e verdes pastagens, muito gado, aves diversas, renderam lindas fotos.




Ali começou a esquentar, mas... 45 graus foi o que encaramos depois, infernal!
Outro problema nesse trecho foram os postos, cada vez mais escassos e com filas gigantes (no sol).


Ainda estava gostoso, 42 graus...


Ali pegamos o início da Patagonia

O calor é cruel até com o asfalto

Seguimos até Catriel, uma cidade no meio do nada, ponto de parada de tudo que é tipo de turista, pois é no meio do caminho de qualquer coisa por lá.
Hotéis lotados, e depois de muito procurar encontramos um muquifinho. O dono era mais grosso que dedo destroncado. Aquele calor dos infernos e quartos só com ventilador. Banheiro integrado (chuveiro, pia e vaso num único ambiente). A única vantagem é que tinha uma cozinha com geladeira, onde já colocamos umas cervas pra gelar logo que chegamos.



Fomos comer em outro muquifinho, mas esse foi uma boa surpresa, pois a comida estava bem gostosa e a cerveja bem gelada. Panqueca de verdura com carne de porco ao molho.


4º Dia, Catriel AR até San Martin de Los Andes - 561 km


Muito bom acordar pensando que o dia de pilotagem será mais curto. Andar de moto é muito bom, viajar então, é ótimo, mas isso não faz com que seja menos desgastante essas grandes quilometragens diárias. Não é fácil!

Já saímos com calor, mas fomos firmes. Quando chegamos em Neuquén dei uma perdida do grupo, o semáforo fechou não vi, voltei e eles tinha seguido por outro caminho que estava meu GPS. Segui até o posto que tínhamos combinado e fiquei esperando por uns 40min, como não apareceram continuei tocando em frente. Todos tinham o destino no GPS então no máximo nos encontraríamos a noite. O que aconteceu foi que como pegaram o caminho diferente enfrentaram um engarrafamento de obras que eu não peguei, por isso desencontrou mais ainda. Tentei acessar a internet no posto mas não consegui.
Passei por um lugar muito lindo, El Chocon, mas só parei pra tirar fotos e pra acessar a internet no posto de turismo (deixei mensagem pro pessoal que estava tocando em frente).


Uns km a frente parei em Piedra del Águila para abastecer, e ali o pessoal também chegou. Aproveitamos pra fazer um lanche mais reforçado pois era meio dia. Sanduba de Milanesa (isso é muito bom!).


Enquanto estávamos comendo uma argentina pediu pra subir na moto de um do nosso grupo e tombou ela pegado a porta de um carro e a moto do Andre. Perdemos um bom tempo ali esperando se resolver com o seguro. Resolvido isso tocamos em frente.

Fica a dica: nunca deixar subir na moto

Agora sim começa o filé da viagem: A chegada já perto de San Martin de Los Andes (em Junin de Los Andes) é fantástica, pois ao longe já pudemos ver o Vulcão Lanin com seu pico nevado.




Vulcão Lanin ao longe


Chegando na cidade tivemos outra boa surpresa, a pousada que reservamos foi uma das melhores da viagem. No booking está como Alquiler Temporario, na internet como Cabanas Las Morenas e lá tem uma placa Condomínio del Encuentro, ampla, dois banheiros, ótimas camas, cozinha completa... a cidade também é um show, bem organizada, mais estilo montanha, bons restaurantes.



A cidade é um charme.





Depois de organizar tudo fomos ao centro onde aproveitei e comprei um chip da Claro para o celular, paguei cerca de US$ 20 com créditos que duraram a viagem toda e ainda sobrou, ótima cobertura até na patagônia.
No jantar o meu primeiro cordeiro patagônico da viagem, de muitos... acompanhado de cervejas.



Depois ainda tomamos um chocolate quente na Abuela Goye, uma rede de chocolaterias da argentina, muito boa. Ah, enfim a temperatura bem mais agradável. O clima é mais ameno ali, mas seco, ok que é ótimo, inclusive pra aproveitar e lavar as roupas.



5º Dia, San Martin de Los Andes - 51 km


Tomamos o café da manhã "em casa" mesmo, compramos as coisas num mercadinho e nosso amigo Zé fez um ovo mexido de primeira.



Depois fomos dar uma volta, por ótima sugestão do André fomos até a estação de esqui Chapelco. Antes parada no Lago Lácar, que banha a cidade e está no Parque Nacional Lanin. O caminho é bem legal pois pega a rota dos sete lagos e já começa a pegar uma certa altitude, então a paisagem é sempre fabulosa.



Ao chegar lá no centro, uns 1258m de altitude pegamos um teleférico até a parte de cima, onde tem um bom café com vista de tirar o fôlego.





Chocolate quente e cubanitos de dulce de leche
com uma vista mais ou menos...


Na volta tivemos um perrengue (que se estendeu por alguns bons dias…), a moto do André apagou, perto da cidade, quando foi parar pra tirar uma foto do lago. Tentamos de tudo, até pegar no tranco, e nada. Deixamos a moto ali e fomos atrás de solução.

Perco a amizade mas não a foto...

Mensagem pra um e pra outro… até que suspeitaram de bateria. André e Zé mandaram fazer um cabo de chupeta e foram lá com a moto do Zé, deu certo, pelo menos por hora.

Fomos jantar num restaurante mais perto, mas muito gostoso, além da boa comida e vinhos a equipe era bem divertida.



Em breve, próximos capítulos...